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Paulo José da Costa é livreiro e ex-funcionário do Banco do Brasil.   Considera-se um garimpador da memória, procurando nos sótãos e porões as fotos antigas, postais, cartas, diários com que alimenta sua paixão que tem foco no cotidiano.  Pesquisador de história da música e do cinema, postando raridades no youtube.  Mantém enorme acervo de cds, dvds, fitas, vinil, discos de rádio, 16 polegadas, 10 polegadas, compactos e o escambau. Ex-libris, filmes antigos, gravuras, affiches, cartas, jornais antigos, albuns de família, postais, a lista é grande. Sempre procurando mais. Tem quatro blogs e desenvolve projeto de livro sobre o cotidiano paranaense através das fotos de família entre 1870/1960. Mantém arquivo de memória paranaense e catarinense.

12 May 2017

UMA VIAGEM DE JOINVILLE A CURITYBA EM 1938


                     Álbuns de família, como sempre revelando preciosidades. Estas imagens, por exemplo, estavam nos guardados de Ludwig Seyer, o filho, músico longevo que viveu em Joinville nos anos 30 e depois radicou-se em Curitiba.  Seu pai, seu homônimo, era maestro e um dos líderes da comunidade musical curitibana. O filho, multi-instrumentista, violoncelista, pianista, violista, arranjador, compositor, gostava de fotografar e deixou mais de 50 cadernos de diários manuscritos - em alemão gótico, naturalmente (estou disponibilizando esse material aos poucos no blog "http://osdiariosdeludwigseyer.blogspot.com.br/" ). Ludwig , o filho, que faleceu em 2009 quase centenário, era vegetariano e nos seus diários lemos muito sobre seus hábitos alimentares e suas caminhadas e passeios de bicicleta pelos arredores de Joinville, pelas praias lindas daquela época.
                      Nestas fotos vemos cenas de uma viagem de Joinville a Curitiba no dia 12.12.1938, em ônibus da companhia Auto-Viação Cometa, de Blumenau.  Resolvi postar aqui no blog porque o amigo Wilson R.Degressi Miccoli me asseverou que são as únicas fotografias conhecidas de um veículo da citada companhia, que desapareceu em meados dos anos 1960.

                       Seguem então as imagens que espero sejam de proveito geral.

CLIQUE NA IMAGEM DUAS VEZES E VEJA EM TAMANHO GRANDE


copyright Paulo José da Costa, 2017
autorizo o uso mediante expressa citação do blog.

























03 March 2017

4 VISTAS DE SÃO PAULO, 1865, DE MILITÃO AUGUSTO DE AZEVEDO, TALVEZ INÉDITAS




                           Nas minhas andanças pelas casas de Curitiba às vezes encontro coisas inesperadas. Ontem eu adquiri de gente simpática e generosa um lote de vidros com diapositivos, negativos, fotos em papel, stereos e uma coleção enorme de cartas, que ainda serão objeto de deliciosa análise e possivelmente parcial publicação. Mas hoje quero mostrar essas 4 vistas do Militão Augusto de Azevedo, o mais importante fotógrafo paulista (infelizmente os curitibanos só tiveram seus fotógrafos cronistas da paisagem urbana só a partir do inicio do século XX, imagino o que seria um Militão entre nós).  


                              A PRIMEIRA FOTO - A VÁRZEA DO CARMO EM 1865

                               A várzea do Carmo, com a Igreja de São Bento,  ficava onde hoje é o parque D.Pedro II, todos passavam por ali, à beira do rio Tamanduateí, principalmente os que vinham do Rio de Janeiro.  A foto foi batida da encosta do pátio do Colégio em 1865.   Militão já havia batido uma foto desse mesmo local, mas em ângulo diferente, imagem essa que passou a constar do seu primeiro Album Comparativo da Cidade de São Paulo. Talvez essa imagem abaixo tenha sido batida no mesmo dia, nunca saberemos.





Várzea do Carmo, São Paulo, 1865. Stereo de Militão Augusto de Azevedo, acervo de Paulo José da Costa. 



Várzea do Carmo, São Paulo, 1865, imagem de Militão de Azevedo, acervo de Paulo José da Costa 




                                      A SEGUNDA IMAGEM - A IGREJA DA SÉ



                               Existe uma imagem quase igual a essa no Álbum Comemorativo. Esta aqui do
blog, entretanto, mostra uma caleça, ou mais provavelmente um tílburi, pois tem apenas um cavalo, dando uma movimentação à rua. Na que está no Album, não há ninguém na paisagem urbana.





Igreja da Sé, 1865, stereo de Militão de Azevedo, acervo de Paulo José da Costa.





Igreja da Sé, 1865, foto de Militão Augusto de Azevedo, acervo de Paulo José da Costa 



detalhe do largo da Sé, Militão Augusto de Azevedo, 1865 acervo de Paulo José da Costa




                                    A TERCEIRA IMAGEM - O JARDIM DA LUZ


Jardim da Luz, 1865 stereo de Militão Augusto de Azevedo, acervo Paulo José da Costa. 


Jardim da Luz, 1865 foto de Militão Augusto de Azevedo



                            A QUARTA IMAGEM - O LARGO DO OUVIDOR, 1865


                           Largo do São Francisco, com a Igreja e o convento, 1865. Existem duas ou três outras tomadas dessa região, uma delas de 1860, mas todas diferentes. Essa parece ser a mais próxima da Igreja, pois o casarão à direita aparece apenas com 4 janelões e nos demais registros o edifício aparece inteiro.    Os transeuntes também, obviamente, são outros.


Largo do Ouvidor, 1865 - Stereo de Militão Augusto de Azevedo, acervo de Paulo José da Costa. 





Largo do Ouvidor, 1865, foto de Militão Augusto de Azevedo, acervo de Paulo José da Costa. 



copyright 3 de março de 2017.
Paulo José da Costa.
compro e troco fotografias antigas
procuro material do Paraná e Santa Catarina
inclusive álbuns de família.
41 988050624

02 January 2017

O FIM DA OFICINA DE MÚSICA DE CURITIBA, UM DESASTRE EDUCACIONAL E CULTURAL


                            A cidade de Curitiba, no Brasil, inicia o ano de 2017 com um novo prefeito que, mesmo antes de assumir, já anunciou o fim de uma Oficina de Música que permanecia por 34 anos, todo mês de janeiro.  Era um evento destinado ao ensino da música para jovens (cerca de 2000 alunos inscritos) e formação de platéia.  Essa grande festa da cultura e do ensino da música vinha de uma tradição antiga, dos anos 60, dos antigos Festivais Internacionais de Música do Paraná. Agora tudo se acabou, rompeu-se a continuidade.
                            O novo alcaide sempre se destacou pela suas atividades culturais, escritor de crônicas, criador de monumentos, erector, na primeira vez que foi prefeito, vinte e cinco anos atrás,  dos simbólicos "faróis do saber", que pretendiam jogar a luz da sabedoria através de bibliotecas e atividades nos bairros onde se localizavam...
                            Donde a grande surpresa da comunidade intelectual e cultural da cidade com a medida que tomou e, mais ainda, pela justificativa apresentada:  usar o dinheiro para compra de aspirina, "microporus", merthiolate, gaze nos postos de saúde da cidade (disse exatamente isso em entrevista à Tv Bandeirantes).
                             O meio musical brasileiro, estupefato, nada pode fazer contra a vontade férrea desse homem que elegeu a música para propagação de uma ideia demagógica e populista, a da saúde ser mais importante do que "as pavanas".
                             Nessa mesma entrevista que deu à TV Bandeirantes, sugere que os músicos devem "renunciar aos seus cachês" para ajudar os doentes nos hospitais.  Nem vou entrar na questão dos valores simbólicos recebidos por esses professores que usam suas férias de janeiro para dar aulas de modo generoso a jovens ávidos. O fato aqui é o profundo descaso perpetrado contra uma classe historicamente abandonada e negligenciada. Historicamente o musicista sempre foi maltratado, desprezado, e quase sempre só lembrado pelas nossas autoridades nas cerimônias de posse ou para inaugurações e eventos do poder. Raros são os gestores  que reconhecem a música como atividade vital na educação.  A frase de Platão  de que "a música é um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro/'  é desconhecida ou recebida com desdém pela gente que dirige nossa vida educacional e cultural. O sr, Rafael Greca além de se mostrar totalmente equivocado com relação a isso,  mostra profundo preconceito com relação à classe musical. Também ao falar com ênfase que a "cultura tem de ser preferencialmente de formação de platéia" revela um distanciamento enorme e triste do verdadeiro papel do ensino da música para as pessoas, revela um profundo desconhecimento do papel da Oficina de Música para os 2000 jovens que viriam a Curitiba neste mês de janeiro de 2017, pois a Oficina é eminentemente  EDUCACIONAL, INCLUSIVA, MOTIVACIONAL.
                                  A Oficina de Música de Curitiba era um enorme celeiro de formação de pessoas para o exercício de um ofício.  Isso, num país de crônica crise social, de abandono dos jovens, de desvirtuamento dos caminhos de vida, era um bálsamo para as famílias e para os jovens que aqui vinham se formar, e uma enorme satisfação para os mestres que os ensinavam.  Que triste frase a do Sr. Rafael ao dizer que os músicos deveriam destinar seus cachês para a saúde ! Pois não estão eles a ensinar os jovens, a curá-los no espírito, preparando-os para o exercício da cidadania ? Que visão equivocada a desse gestor que mistura tudo e joga a população contra professores de música e alunos!
                                 Teremos um mês de janeiro triste como nunca se viu nessa Curitiba da Luz dos Pinhais. A luz andará escondida pois os acordes dos professores e alunos da Oficina de Música foram silenciados.    

                                     "A presença da música na educação auxilia desde a socialização às habilidades linguísticas e lógicas-matemáticas. E, que ao estimular a sentimentos, memória e a inteligência, relacionando-as ainda com ao desenvolver do próprio educando, favorece a construção de um cidadão mais consciente de si e de seu papel no mundo, mais humano, mas participativo."


A ENTREVISTA NA REDE BANDEIRANTES