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Paulo José da Costa é livreiro e ex-funcionário do Banco do Brasil.   Considera-se um garimpador da memória, procurando nos sótãos e porões as fotos antigas, postais, cartas, diários com que alimenta sua paixão que tem foco no cotidiano.  Pesquisador de história da música e do cinema, postando raridades no youtube.  Mantém enorme acervo de cds, dvds, fitas, vinil, discos de rádio, 16 polegadas, 10 polegadas, compactos e o escambau. Ex-libris, filmes antigos, gravuras, affiches, cartas, jornais antigos, albuns de família, postais, a lista é grande. Sempre procurando mais. Tem quatro blogs e desenvolve projeto de livro sobre o cotidiano paranaense através das fotos de família entre 1870/1960. Mantém arquivo de memória paranaense e catarinense.

27 June 2014

FOTOS DO CAMPO DE PRISIONEIROS ALEMÃES DE JOINVILLE SC

               Durante a segunda guerra mundial houve repressão aos cidadãos de origem alemã, italiana e japonesa por todo o Brasil. Foram construídos doze presídios espalhados pelo território nacional.  Qualquer suspeito de colaboração com os países do Eixo era preso e confinado.  Mas não só estes. Muitos eram pessoas simples que eram detidas por terem conversado em sua língua materna no ônibus ou na igreja. Denúncias de vizinhos, ouvir o rádio, ter livros nazistas em casa eram motivos para os cidadãos serem levados para os presídios.  Em Santa Catarina houve dois locais onde os presos políticos alemães foram confinados, um em Florianópolis, o "Presídio Político da Trindade"  e outro em Joinville, no "Presídio Político Oscar Schneider".  Pesquisadores andam descobrindo muitas histórias, colhendo depoimentos de testemunhas oculares e também vasculhando arquivos atrás de documentos.  Quando adquiri a biblioteca de um antigo diplomata alemão, em Curitiba, tive a sorte de encontrar muitas pastas ainda com documentos e numa delas havia uma série de fotos e uma listagem dos prisioneiros do presídio Oscar Schneider, que julgo importante sejam divulgados para enriquecer as fontes de pesquisa históricas sobre o assunto.

AS FOTOGRAFIAS

             O interessante nessas fotos é que elas mostram os prisioneiros políticos junto com detentos comuns, inclusive há uma listagem no verso de uma das fotos que prova isso. Isso era uma coisa que contrariava a lei internacional que regia os campos de prisioneiros, onde era proibida terminantemente essa prática.  Outra constatação é que as condições de vida no presídio não eram exatamente intoleráveis ou difíceis, pois o que vemos é gente em ótimas condições de saúde, sorridente, bem disposta e feliz, tomando banho de sol ou à beira do riacho.  Eles possuíam até uma biblioteca, onde os livros tinham um carimbo de "Campo de Concentração", como se pode ver no exemplar que consegui junto com as fotografias.   Outro detalhe é a tranquila convivência mostrada entre os detentos e os soldados encarregados de sua guarda. 

EXIJO EXPRESSAMENTE A CITAÇÃO DA FONTE CASO USE ESTE MATERIAL EM SITES, TRABALHOS ACADÊMICOS OU PUBLICAÇÕES IMPRESSAS.

soldados conviviam tranquilamente com os prisioneiros

soldados, um prisioneiro político alemão e um condenado comum (de uniforme listado)

entre estes prisioneiros alemães, há 3 condenados comuns, conforme a listagem no verso, reproduzida abaixo


lista dos figurantes na foto acima




   
banho dos prisioneiros no riacho
  

A LISTAGEM DE PRISIONEIROS


              Não sei quem a elaborou e nem para que finalidade, mas é uma lista preciosa.   Traz nomes, endereços, ocupação, data de entrada, de saída. 






                     UM LIVRO DA BIBLIOTECA DO PRESÍDIO, ONDE SE LÊ "CAMPO DE CONCENTRAÇÃO"


  Paulo José da Costa

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