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Paulo José da Costa é livreiro e ex-funcionário do Banco do Brasil.   Considera-se um garimpador da memória, procurando nos sótãos e porões as fotos antigas, postais, cartas, diários com que alimenta sua paixão que tem foco no cotidiano.  Pesquisador de história da música e do cinema, postando raridades no youtube.  Mantém enorme acervo de cds, dvds, fitas, vinil, discos de rádio, 16 polegadas, 10 polegadas, compactos e o escambau. Ex-libris, filmes antigos, gravuras, affiches, cartas, jornais antigos, albuns de família, postais, a lista é grande. Sempre procurando mais. Tem quatro blogs e desenvolve projeto de livro sobre o cotidiano paranaense através das fotos de família entre 1870/1960. Mantém arquivo de memória paranaense e catarinense.

02 January 2017

O FIM DA OFICINA DE MÚSICA DE CURITIBA, UM DESASTRE EDUCACIONAL E CULTURAL


                            A cidade de Curitiba, no Brasil, inicia o ano de 2017 com um novo prefeito que, mesmo antes de assumir, já anunciou o fim de uma Oficina de Música que permanecia por 34 anos, todo mês de janeiro.  Era um evento destinado ao ensino da música para jovens (cerca de 2000 alunos inscritos) e formação de platéia.  Essa grande festa da cultura e do ensino da música vinha de uma tradição antiga, dos anos 60, dos antigos Festivais Internacionais de Música do Paraná. Agora tudo se acabou, rompeu-se a continuidade.
                            O novo alcaide sempre se destacou pela suas atividades culturais, escritor de crônicas, criador de monumentos, erector, na primeira vez que foi prefeito, vinte e cinco anos atrás,  dos simbólicos "faróis do saber", que pretendiam jogar a luz da sabedoria através de bibliotecas e atividades nos bairros onde se localizavam...
                            Donde a grande surpresa da comunidade intelectual e cultural da cidade com a medida que tomou e, mais ainda, pela justificativa apresentada:  usar o dinheiro para compra de aspirina, "microporus", merthiolate, gaze nos postos de saúde da cidade (disse exatamente isso em entrevista à Tv Bandeirantes).
                             O meio musical brasileiro, estupefato, nada pode fazer contra a vontade férrea desse homem que elegeu a música para propagação de uma ideia demagógica e populista, a da saúde ser mais importante do que "as pavanas".
                             Nessa mesma entrevista que deu à TV Bandeirantes, sugere que os músicos devem "renunciar aos seus cachês" para ajudar os doentes nos hospitais.  Nem vou entrar na questão dos valores simbólicos recebidos por esses professores que usam suas férias de janeiro para dar aulas de modo generoso a jovens ávidos. O fato aqui é o profundo descaso perpetrado contra uma classe historicamente abandonada e negligenciada. Historicamente o musicista sempre foi maltratado, desprezado, e quase sempre só lembrado pelas nossas autoridades nas cerimônias de posse ou para inaugurações e eventos do poder. Raros são os gestores  que reconhecem a música como atividade vital na educação.  A frase de Platão  de que "a música é um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro/'  é desconhecida ou recebida com desdém pela gente que dirige nossa vida educacional e cultural. O sr, Rafael Greca além de se mostrar totalmente equivocado com relação a isso,  mostra profundo preconceito com relação à classe musical. Também ao falar com ênfase que a "cultura tem de ser preferencialmente de formação de platéia" revela um distanciamento enorme e triste do verdadeiro papel do ensino da música para as pessoas, revela um profundo desconhecimento do papel da Oficina de Música para os 2000 jovens que viriam a Curitiba neste mês de janeiro de 2017, pois a Oficina é eminentemente  EDUCACIONAL, INCLUSIVA, MOTIVACIONAL.
                                  A Oficina de Música de Curitiba era um enorme celeiro de formação de pessoas para o exercício de um ofício.  Isso, num país de crônica crise social, de abandono dos jovens, de desvirtuamento dos caminhos de vida, era um bálsamo para as famílias e para os jovens que aqui vinham se formar, e uma enorme satisfação para os mestres que os ensinavam.  Que triste frase a do Sr. Rafael ao dizer que os músicos deveriam destinar seus cachês para a saúde ! Pois não estão eles a ensinar os jovens, a curá-los no espírito, preparando-os para o exercício da cidadania ? Que visão equivocada a desse gestor que mistura tudo e joga a população contra professores de música e alunos!
                                 Teremos um mês de janeiro triste como nunca se viu nessa Curitiba da Luz dos Pinhais. A luz andará escondida pois os acordes dos professores e alunos da Oficina de Música foram silenciados.    

                                     "A presença da música na educação auxilia desde a socialização às habilidades linguísticas e lógicas-matemáticas. E, que ao estimular a sentimentos, memória e a inteligência, relacionando-as ainda com ao desenvolver do próprio educando, favorece a construção de um cidadão mais consciente de si e de seu papel no mundo, mais humano, mas participativo."


A ENTREVISTA NA REDE BANDEIRANTES